COM DEMANDA CRESCENTE, MALHA CICLOVIÁRIA SUPERA 2,5 MIL KM

COM DEMANDA CRESCENTE, MALHA CICLOVIÁRIA SUPERA 2,5 MIL KM

O padrão hegemônico de mobilidade urbana ainda traz o carro como protagonista dos deslocamentos e relega os ciclistas a um papel secundário. A bicicleta, porém, torna-se personagem importante nas ruas das grandes cidades a cada ano, fenômeno ratificado pelo crescimento acelerado da infraestrutura cicloviária. Levantamento do coletivo Mobilize em 19 capitais mostra que a malha cicloviária no Brasil somava 2.526 km em fevereiro de 2017, alta de 20,9%, ou 437 km, em relação a 2015.

Foram contabilizadas ciclovias (espaço fisicamente separado para o uso das magrelas) e ciclofaixas (sem separação física, normalmente com faixas pintadas no chão) e excluídas as ciclorrotas e as ciclofaixas de lazer. O crescimento é motivado pela estruturação de programas de estímulo ao uso da bicicleta em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza, que culminaram na adoção de plataformas de bikes compartilhadas e nos investimentos em ampliação da malha.

A aprovação da Política Nacional de Mobilidade Urbana, em 2012, que determina a priorização do transporte público e coletivo sobre o carro, também jogou luz no tema. “A capital paulista é um marco importante não apenas pela expansão da infraestrutura, mas pela ideia de construir uma malha integrada de ciclovias e ciclofaixas. Estruturar uma rede é questão importante quando se fala no uso de bicicletas nas grandes cidades”, diz o gerente de Transportes Ativos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), Thiago Benicchio.

Foi o que ocorreu em Fortaleza. Com o Programa de Expansão da Malha Cicloviária, a capital cearense viu a rede cicloviária passar de 68 quilômetros, em 2012, para os atuais 208,9 quilômetros, ocupando o quarto lugar do ranking nacional de malha cicloviária. Para este ano, é prevista a execução de mais 50 quilômetros e, até o final de 2018, será implantado um anel que prevê 46 km de infraestrutura cicloviária conectando a rede em volta da cidade. Paralelamente, a prefeitura deu início a dois programas de compartilhamento.

O Bicicletar surgiu como solução de transporte de pequeno percurso, com 800 bikes e 80 estações distribuídas na cidade. Já o Bicicleta Integrada foca na ligação entre o percurso inicial ou final do usuário e o terminal de ônibus, com cinco grandes estações e 250 bikes compartilhadas próximas aos terminais. “O cadastro é feito pelo Bilhete Único. A pessoa pode descer do ônibus, retirar a bicicleta por até 14 horas e pernoitar com o equipamento”, diz Gustavo Pinheiro, engenheiro da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos da Prefeitura de Fortaleza.

Em que pesem as críticas sobre a qualidade e a localização da malha, o tabu em relação às magrelas vem sendo derrubado nas capitais. Pesquisa da ONG Rede Nossa São Paulo e do Ibope Inteligência mostra que, enquanto 59% dos paulistanos apoiavam a construção de mais ciclovias e ciclofaixas em 2015, o percentual atingiu 68% em 2016. “No início dos anos 2000, a bike era vista como veículo de pobre ou apenas recreativo. A percepção mudou. Hoje, é difícil um governante desqualificar a bicicleta”, diz Benicchio.

Com a melhora na infraestrutura e na segurança, cresce a adesão à magrela como alternativa para a mobilidade urbana. A pesquisa “Perfil do Ciclista Brasileiro”, da ONG Transporte Ativo e do LABMOB/UFRJ, mostra que 61,8% de 5.012 ciclistas utilizam a bicicleta como meio de transporte há menos de cinco anos. Entre as motivações estão a rapidez e praticidade nos deslocamentos (42,9%) e os custos (19,6%). Mas há problemas: 26,6% reclamam da falta de infraestrutura e 22,7% da segurança no trânsito.

Outra pesquisa, da Bike Anjo, que incentiva o uso das magrelas como meio de transporte, mostra que apenas 34,9% de 1.057 entrevistados contam com estacionamento coberto na empresa. “Há uma grande batalha nesse sentido, mas a aceitação cresce. As empresas ainda têm dúvidas sobre a infraestrutura que precisam disponibilizar, como bicicletário e chuveiro, e também sobre o percurso. Pela legislação, um acidente no percurso entre casa e trabalho é de responsabilidade da empresa”, diz Missaki Idehara, articulador da ONG.

Valor – Felipe Datt 

(Valor)

Admin

17 2017

Mobilidade

Comentários

Destaque

Fabricantes europeus estão fazendo um movimento de retorno, levando suas produções para mais perto da sua rede de distribuição na Europa. Agilidade nas entregas e possibilidade de atender a costumização estão sendo levados em conta por grandes players do setor