BICICLETA ELÉTRICA É TÃO BOA PARA A FORMA FÍSICA QUANTO A CONVENCIONAL?

BICICLETA ELÉTRICA É TÃO BOA PARA A FORMA FÍSICA QUANTO A CONVENCIONAL?

Estudos recentes, impulsionados pelo grande crescimento do mercado de bicicletas elétricas a pedalada assistida, revelam que e-bike pode ajudar muito na forma física dos usuários com redução de batimentos cardíacos e menor suor nos deslocamentos

 

Para aqueles que ainda desconfiam que as bicicletas elétricas, também conhecidas por e-bikes, não exigem esforço ou não trazem benefício para o condicionamento físico dos seus usuários, alguns estudos recentes provam o contrário.

Um trabalho produzido pela Universidade da Basileia, na Suíça, colocou 17 sedentários, todos com sobre peso para que utilizassem e-bikes em seus deslocamentos ao trabalho, ao menos três vezes por semana, em um percurso diário de no mínimo 6 km.  Para ter um comparativo, outros 15 voluntários, tiveram a mesma tarefa, poré utilizando bicicletas tradicionais. Após um mês, os usuários das e-bikes tiveram um ganho cardiorrespiratório similar ao das pessoas que utilizaram bicicletas convencionais. Não havia especificações quanto à velocidade e intensidade do passeio. Alguns dos participantes estavam usando um monitor cardíaco e um dispositivo GPS.

Segundo Cristoph Höchsmann, autor da pesquisa publicada no Clinical Journal of Sport Medicine, pessoas destreinadas e com excesso de peso podem se beneficiar com a utilização das bicicletas elétricas. Para isso ele aponta os diferentes tipos de assistências do motor à pedala assistida, e o usuário é obrigado a pedalar a bicicleta. “Essa medida tem se mostrado um importante fato para mensurar a mortalidade por doenças cardíacas e outras causas”. Se esta melhoria for mantida permanentemente, o risco de mortalidade cardiovascular diminui para um nível clinicamente relevante. Além disso, o coração dos usuários funcionou com mais eficiência após o treinamento de quatro semanas destaca o autor do trabalho.

Depois de um mês, os participantes tiveram sua saúde testada novamente e ficou claro que ambos os grupos desenvolveram-se comparativamente bem em sua condição física - medida pela capacidade de captação de oxigênio. Se esta melhoria for mantida permanentemente, o risco de mortalidade cardiovascular diminui para um nível clinicamente relevante. Além disso, o coração funcionou com mais eficiência após o treinamento de quatro semanas.

O estudo mostra que os participantes que utilizaram as  e-bikes se deslocaram em média, a velocidades mais altas e apresentaram maior ganho diário de elevação. "Isso indica que a bicicleta elétrica pode aumentar a motivação e ajudar indivíduos com sobrepeso e idosos a manter o treinamento físico regularmente", comenta Arno Schmidt-Trucksaess, professor de medicina esportiva da Universidade de Basel sobre os resultados do estudo. "Aqueles que usam e-bikes regularmente beneficiam-se permanentemente, não apenas em termos de sua condição física, mas também em termos de outros fatores, como a pressão arterial, o metabolismo da gordura e o bem-estar mental geral". No geral, ele sugere que o estudo fornece uma indicação importante do potencial preventivo das e-bikes.

Já o educador físico Rodrigo Bini, da Universidade La Trobe de Melbourne, na Austrália, destaca: “E, mesmo que o motor esteja no máximo, só para mover as pernas já há gasto energético. Sem falar no trabalho corporal apenas para manter o equilíbrio”.

Mas Bini  destaca que o resultado apresentado no estudo apresentado pelo suíço,  não pode ser aplicado às pessoas que já praticam atividades físicas ou fazem seus deslocamentos em bicicletas tradicionais. “Em estudo recente, observamos uma redução de 24% no gasto energético quando carteiros usaram a e-bike no lugar da convencional”, conta.

Segundo a linha de pensamento de Bini,  elas seriam mais interessantes para pessoas  que estão acima do peso e idosos, uma vez que exigem um pouco menos de esforço – diante de possíveis limitações, isso é importante. Quem também se beneficia são as pessoas que precisam  pedalar em trechos com mais subidas. “Principalmente se carrega uma carga adicional, como carteiros e entregadores em geral”, exemplifica Bini.

As e-bikes se mostram uma excelente opção para quem quer utiliza-las no dia a dia, nos deslocamentos casa- trabalho-casa. “Com elas, a sobrecarga nas articulações é potencialmente menor em relação à bicicleta convencional”, frisa Bini. Devido a essa característica, cai o risco de lesões osteomusculares em longo prazo.

Um outro estudo, desenvolvido por um importante fabricantes de componentes para bicicletas e motores para e-bikes aponta para a diferença nas taxas de suor entre os usuários de uma bicicleta elétrica a pedalada assistida e uma bicicleta tradicional. A pesquisa também teve como objetivo investigar os diferentes níveis de esforço experimentados durante uma viagem de bicicleta em uma cidade européia levando em conta as elevadas temperaturas do verão.

Seis participantes pedalaram por 30 minutos em um simulador climático a 28ºC, uma vez em uma bicicleta elétrica motorizada Shimano Steps E6100 e outra vez em uma bicicleta comum. Sua freqüência cardíaca, temperatura corpórea central, classificação do esforço percebido (PSE), potência e volume do suor, medidos pelo pré e pós-peso, foram registrados.

Os principais resultados foram:
- Os participantes da e-bike suaram 3,1 vezes (350ml) menos que na bicicleta normal.
- Os participantes da e-bike tiveram uma frequência cardíaca final 63 batimentos abaixo da bicicleta normal.
- Os participantes da bicicleta regular tiveram um aumento de temperatura corporal de 0,9ºC mais do que na e-bike.

Ao final do  teste os usuários das e-bikes apresentaram pouco ou nenhum suor em suas roupas, bem como baixo estresse fisiológico. Por outro lado,  como era de se esperar os usuários das bicicletas tradicionais estavam com as roupas encharcadas devido a um grande volume de suor e uma alta taxa de esforço.

As principais diferenças entre os participantes no final dos testes de e-bike e bicicletas regulares foram:
- RPE (nível de esforço físico) médio: 1,6 (e-bike) classificada como "leve para fácil" em comparação a 4,1 (bicicleta normal), classificada como "difícil".
- Temperatura média do núcleo: 37,5ºC (e-bike) vs 38,4ºC (bicicleta normal).

Sobre o estudo, Pieter Vincent, que trabalha para a fabricante de componentes comentou: "A pesquisa mostra como as e-bikes são perfeitas para utilização nas cidades. Ao utilizar bicicletas equipadas com motor, os ciclistas conseguem permanecer mais frescos, calmos e sem suar tanto, além de chegar a seus destinos com mais rapidez e mais renovados do que utilizando outros meios de transporte".

O principal cientista da agência Sports Science, Jack Wilson, afirma: "As principais descobertas deste estudo mostram que usando uma e-bike em vez de uma bicicleta comum, os ciclistas podem completar seu trajeto sem preocupações com o suor e a tensão fisiológica. É justo supor que os benefícios do exercício permanecem e que as e-bikes podem ser uma boa introdução para aqueles que acham que não estão suficientemente em forma para tentar ir de bicicleta para o trabalho".


Pelo estudo é possível concluir que para aqueles que procuram manter sua rotina de trabalho, mas querem evitar os efeitos colaterais de utilizar uma bike e suar demais, as e-bikes são uma forma prática de deslocamento com menor exigência, além de garantir benefícios físicos e mentais pelo exercício e evitar os estresses.
 

(Sciencie Daily/Zdl)

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07 Novembro 2018

Mobilidade

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