DIREITOS HUMANOS E TRABALHISTAS PODEM CORTAR BENEFÍCIOS DO CAMBOJA PARA ENTRAR NO MERCADO EUROPEU

DIREITOS HUMANOS E TRABALHISTAS PODEM CORTAR BENEFÍCIOS DO CAMBOJA PARA ENTRAR NO MERCADO EUROPEU

O investimento na crescente indústria de bicicletas do Camboja poderá ser interrompido devido à incerteza da guerra comercial e ao possível fim dos privilégios comerciais com a União Europeia.

O mundo bem atravessando uma fase turbulenta nas relações comerciais e a bicicleta e seus componentes estão em meio a tudo isso, seja no embate tarifário entre a os Estados Unidos e a China ou com ações da Comunidade Europeia contra o dumping.  Agora , o Camboja, que atualmente é o maior fornecedor de bicicletas para a União Europeia poderá perder os acordos comerciais de preferências tarifarias para o bloco por não adotar uma política adequada de respeito aos direitos humanos e leis trabalhistas; a decisão sobre a manutenção ou não do acordo da Comissão Europeia denominado EBA - ‘Everything But Arms’  (Tudo Menos Armas), poderá colocar em xeque a indústria cambojana deverá ser anunciada ainda no inicio de 2020.

Os países menos desenvolvidos (PMA) tem alguns esquemas que os favorecem na fabricação e exportação de alguns produtos, é o SPG –Esquema de Prefer~encias Generalizadas, ou EBA que permite que países classificados entre os 48 PM’s possam exportar para EU com isenção de algumas taxas, porém o acordo não se aplica a armas e munições.

Para os fabricantes cambojanos, representados pela CBC - Coalizão Cambojana de Bicicleta, o acordo é vital para a indústria daquele país. "Nossa capacidade de fornecer competitivamente a nossos clientes da UE depende do acesso contínuo ao mercado no âmbito do programa EBA". Sem o acordo, as bicicletas produzidas no Camboja pagariam uma taxa de 14% para entrar nos países da UE

Algumas empresas já buscam alternativas e para isso deslocariam suas produções para Bangladesh, Mianmar e Vietnã que já tem um acordo de livre comércio com o bloco, segundo o presidente da CBC, John Edwards, “Seria trágico para nossa força de trabalho e devastador para as comunidades nas quais operamos no Camboja se formos forçados a mudar para outros países que ainda terão acesso isento de impostos à UE, como Bangladesh, Mianmar e Vietnã. Esperamos muito que a Comissão não tome nenhuma ação que torne insustentável nossas operações no Camboja. ”.

Por outro lado as três empresas representadas pela CBC são empresas de proprietários e capital  taiwanês foram incentivadas a se instalar no Camboja pelo programa EBA. Ainda, segundo o presidente da CBC: “ A questão dos direitos dos trabalhadores está no topo de nossa agenda, como evidenciado por rigorosas auditorias independentes para alguns de nossos clientes 'listados publicamente'. Acreditamos firmemente que os membros da CBC podem passar em todos os testes no que diz respeito aos trabalhadores e direitos humanos no Camboja. ”

Para o país asiático o mercado da EU representa 80% da produção e em 10 anos saltou de um faturamento inferior a 30 milhões de euros para mais de  300 milhões em 2018. Mas não são todos os fabricantes cambojanos que tem esse benefício, apenas os 3 ligados à CBC;  os demais fabricantes estão fora do acordo e suas bicicletas recebem tarifas antidumpig, em 2 casos pela reexportação de bicicletas produzidas na China.

 

Foto: Visual Hunt- John D Fielding-Visualhunt.com / CC

(Bike Europe e Asian Review)

Admin

10 Outubro 2019

Mercado

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